Azagaia – Cães De Raça (feat. Guto)

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Azagaia – Cães De Raça (feat. Guto)
Azagaia
Cães De Raça
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  • Author: Azagaia
  • Titulo: Cães De Raça
  • Categoria:
  • Ano: 2013
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LETRA

Eu sou mulato né? Sou mulato sem bandeira
Desde a guerra colonial que não tenho trincheira
Pai branco intelectual, mãe preta lavadeira
Quis ser igual a ele, mas sem esquecer minha parteira
Quis ser progressista, chamaram-me exclusivista
Quando pedi ao fascista Salazar que me chamasse português
Que eu até era benfiquista, bebia vinho do porto e até era racista
Mas também fui independentista, revolucionário intelectual, mafalalista
Deu lugar a Craveirinha passando por Noémia, de Sousa
Quem disse que a minha vida é só boémia
Na tuga o assimilado, português de segunda
Na terra condenado à mecânico ou prostituta
Ninguém vence a minha luta
Se a mulata arranja job dizem que deu a fruta
E quem convence que a má conduta de um mulato que acelera carros
Não é minha culpa
Não é minha culpa do look que trago em mim
De dia odeiam-me
De noite amam-me
Vamos duma vez acabar com as farsas
Mulato é o ódio e o amor e as raças

 

Eu sou um cão de raça
Aqui só passa a minha raça
Aqui só passa a minha raça
Cadela de raça
Aqui só passa a minha raça
Raça

 

Eu sou preto da senzala a morar numa favela
Sou dono da terra sem nunca ter mandado nela
Com os amigos quero paz, com os irmãos faço guerra
Por isso sou explorado na minha própria terra
Eu sou o único rico que vive na miséria
Vivo da pena que sentem de mim, vivo da miséria
Enteado do mundo civilizado, filho da miséria
Sonho para ver se acordo livre da miséria
Expulsei colonos, mas nunca o colonialismo
Vi a merda, baixei a tampa e não puxei o autoclismo
Por isso é que a minha casa cheira mal
Preto explora preto, cheira a tempo colonial
Mas essa guerra vem do tempo tribal
Traí pretos como eu para os brancos do litoral
E os brancos no litoral fixaram a capital
Puseram os filhos mulatos mais próximos do capital
Por isso pretos como eu que não podem ter a cor igual
Batem-se para ao menos terem a cor do capital
Mas deixem-me dizer-vos a verdade inteira
A minha religião, irmãos, também é verdadeira
A minha catedral é palhota da curandeira
E África cura tudo por isso é hospitaleira

 

Eu sou um cão de raça
Aqui só passa a minha raça
Aqui só passa a minha raça
Cadela de raça
Aqui só passa a minha raça
Raça

 

Eu sou branco, vivo das casas da zona chique
Polana e Sommerchield, na garagem estaciono um Jeep
Não sou bantu, mas há séculos que sou vip
Nas terras de moçambique nasci, eu sou daqui
Ou das terras de Portugal
Ai cruz credo, José e Maria, vinho e Bacalhau
Futebol, clube do Benfica ou do Porto ou do Sporting
Luso vanguardista no desporto
Na vanguarda do investimento privado
Dono da língua, dono da obra, dono das acções do Banco
Dono da arrogância, mas deixa explicar um bocado
É que desde a minha infância que sou bem tratado
Cresci no ensino privado ou cheguei contratado
Pretos e mulatos, meus primos subordinados
Ou irmãos injustiçados, também sou Cardoso
Branco suicida, Jornalista do povo
Colonialista de novo, pago o preço da cor
Da minoria que educou uma sociedade pela cor
Luz verde no semáforo das raças
Em caso de acidente, não estou no hospital das massas
Branco bom patrão, na hora das graças
Fascista oportunista na hora das desgraças

Eu sou um cão de raça
Aqui só passa a minha raça
Aqui só passa a minha raça
Cadela de raça
Aqui só passa a minha raça
Raça

 

Nós bhai é tudo irmão
Nosso vida é fazer negócio, nosso política é alcorão
Nós dar nome, esse país dar tempero e religião
Moçabim-bico, rajá e mendi na mão
Branco, preto e mulato é tudo cliente do coração
Mas bhai só casar com bhai, nós manter nosso tradição
Esse não é racismo não, pensa um bocado
Nosso criança habituou ver, preto como empregado
Preto carregar saco no loja no armazém
Preto não gostar salário dizer que bhai é monhé
Sim bhai é monhé, monhé gosta mesquita
Gosta carro com motor potente para fazer corrida
Gosta dar esmola pobre quando chega sexta-feira
Gosta amigo mulato, gosta fumo e bebedeira
Mas essa brincadeira termina mês de jejum
Num vai na discoteca, não faz formula um
Usar cofió, esquecer garrafa de rum
Esse mês é sagrado, bhai não faz mal nenhum
Monhé dono da loja sim, monhé comerciante
Fazer dinheiro circular, ser bom negociante
Monhé empresário, moçambicano de raiz
Nós fazer funcionar economia deste país

 

Eu sou um cão de raça
Aqui só passa a minha raça
Aqui só passa a minha raça
Cadela de raça
Aqui só passa a minha raça
Raça

biografia de Azagaia

Edson da Luz (Namaacha, 6 de maio de 1984), mais conhecido pelo nome artístico Azagaia, é um cantor de hip-hop moçambicano, conhecido pela sua música de intervenção social.

 

Azagaia (nome tirado de uma espécie de lança curta) nasceu em 6 de maio de 1984 em Namaacha na província de Maputo, perto da fronteira de Moçambique com a Suazilândia. É filho de uma comerciante moçambicana e de um professor cabo-verdiano. Aos 10 anos de idade foi morar para a capital Maputo onde viria a concluir o ensino médio e ingressou na universidade, tendo passado pelas camadas de formação de basquetebol do Desportivo de Maputo.

 

Iniciou a carreira musical com 13 anos integrando com o grupo Dinastia Bantu, com MC Escudo, onde chegaria a lançar, em 2005, o álbum Siavuma.

 

Em 10 de Novembro de 2007 Azagaia editou o seu primeiro álbum a solo, Babalaze (que significa “ressaca” na língua changana) pela editora Cotonete Records. O lançamento tornou-se num recorde de vendas no dia de estreia.[3] A álbum contou com as participações de Terry, em “Eu Não Paro” e de Valete em “Alternativos”[4] Este trabalho contém um tom crítico contra o Governo moçambicano, o que terá levado a que algumas faixas a não fossem transmitidas pelos canais públicos. Pela polémica destacou-se o tema “As Mentiras da Verdade”.[1] Também se destacou a música “A Marcha” que bateu recordes de vendas.

 

Fazendo a sua retrospectiva dos principais acontecimentos em Moçambique, Azagaia lançou “Obrigado Pai Natal”, em 2007, e “Obrigado de Novo Pai Natal” em 2008.

 

Depois da revolta popular de 05 de Fevereiro de 2008, em Maputo, Azagaia apresentou o tema “Povo no Poder” que lhe valeu uma intimação para se apresentar na Procuradoria-Geral da República, suspeito de “atentar contra a segurança do Estado”. A música voltaria a ser lembrada na revolta popular de 1 e 2 de setembro de 2010.

 

Em 2009, lançou o tem “Combatentes da Fortuna”, que o rapper diz ser inspirado na crise do Zimbábue e que, apesar de ter sido censurado, foi dado como videoclipe mais visto da história do rap moçambicano.

 

No ano de 2010 lançou a música “Arriiii”, versando sobre um escândalo de tráfico de drogas em Moçambique, casos de fuga ao fisco e assassinatos.

 

Em 2011 Azagaia foi preso, na companhia do seu produtor Miguel Sherba, após ter sido encontrado um cigarro de soruma (4 gramas).

 

Após uma produção de três anos, em 2013 Azagaia lançou o segundo álbum de originais, Cubaliwa (significa “nascimento”, em língua sena). Com lançamento agendado para 09 de novembro, na Associação de Escritores Moçambicanos, em Maputo, contando entre os temas destacados o single “Movimento de Intervenção Rápida” ou “Homem Bomba” ou o tema de apresentação lançado em outubro “ABC do Preconceito”. Como convidados neste álbum encontra-se nomes como Stewart Sukuma, Dama do Bling, a Banda Likuti, Ras Haitrm, Júlia Duarte ou o rapper angolano MCK. O álbum, chegou a ser apresentado com o nome de “Aza-leaks” em 2011, por alturas da apresentação do tema “A Minha Geração”.

 

Cubaliwa deu origem a uma digressão denominada Bem-vindos ao Cubaliwa em que Azagaia se apresentou com a banda Os Cortadores de Lenha.

 

O consumo de estupefacientes voltou a surgir em junho 2014 quando, numa entrevista ao programa Atracções da TV Miramar em que confirmou que tinha sido detido novamente por posse de droga e justificando que o seu consumo da canábis se devia a suposta recomendação médica dado padecer de epilepsia, Azagaia preparou em directo e acendeu o que o próprio disse ser suruma.

 

Poucos dias depois, num texto apresentado no Facebook em 15 de Junho de 2014, Azagaia anunciou que por temor pela sua vida abandonaria a carreira musical e iria passar a viver em Namaacha, sua terra natal.

 

Algumas semanas depois, Azagaia revelou que estava com um tumor cerebral, e iniciou uma campanha de arrecadação de fundos pela Internet. O projeto “Help Azagaia” serviria para reunir mais de 790 mil meticais (equivalente a aproximadamente 20 mil euros) para custear a cirurgia de retirada do tumor, realizada na Índia a 18 de outubro.

 

Após ano e meio uma afastamento dos palcos, Azagaia voltou a actuar apresentando-se num concerto na discoteca Coconuts em Maputo, em Maio de 2016.

Discografia

Dinastia Bantu

  • 2005 – Siavuma

Solo

2007 – Babalaze

2013 – Cubaliwa

2019 – Só Dever (EP)

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